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JORNALISMO | 19/06/2021 « Voltar

Dia do Cinema Nacional: conheça a história e personalidades do cinema de Muriaé

Uma reportagem sobre espaços e pessoas que marcaram o cinema local

Dia do Cinema Nacional: conheça a história e personalidades do cinema de Muriaé



Pode não parecer, mas Muriaé, durante muitos anos respira cinema. Seja na produção, nas atuações ou na busca pela imagem perfeita. É fácil encontrar na história, relatos de profissionais da cidade que se destacaram neste segmento que cresce a cada dia, mesmo diante de tantas mudanças provocadas pela internet.

Para muitos, o cinema é e continuará sendo uma das maiores formas de expressar, seja qual assunto for. É através deste pensamento que muitos muriaeenses se inspiram em produzir conteúdos.

Fundarte – Uma oportunidade para fazer cinema

A Fundação de Cultura e Artes de Muriaé (Fundarte) fundada em 1997 é uma das instituições responsáveis por desenvolver a cultura, o turismo e a juventude do município. Para os amantes de cinema, a Fundação oferece como espaço de aprendizado a Escola Municipal de Audiovisual Carlos Scalla e firma o reconhecimento de sua história com a estrutura do Teatro Zacharias Marques e do Teatro Belmira Villas Boas – que em 2021 está em processo de reforma.

Editais anunciados pela Fundarte são sempre oportunidades proveitosas para aqueles que desejam demonstrar seu trabalho como artista. No ano de 2021, os interessados em produzir conteúdo audiovisual e outros, podem inscrever suas propostas para obtenção de recursos através do fundo municipal de cultura “Alcyr Pires Vermelho”. Para acessar as informações completas clique aqui

Pioneirismo por Carlos Scalla

Nascido em Muriaé, precisamente no bairro Dornelas, Carlos Scalla foi pioneiro no cinema local e da região, dando início à sua trajetória em 1969 quando lançou quatro curtas-metragens logo nos anos seguintes. Desde então, o cineasta carrega um arsenal de experiências e conquistas na Sétima Arte, que seu filho Bruno Scalla entusiasma ao relatar.

Seu primeiro curta foi produzido em 1968 – ano de poucos recursos para gravações e edições - quando tinha apenas 14 anos, e foi chamado “Lei Sangrenta”. Todo em preto e branco, o curta-metragem foi composto pelos conhecidos de Carlos, e pelo cenário de Muriaé.

Em 1974, junto de seu amigo e sócio Sílvio Gomes (pianista do Loid brasileiro), criou a Muriaé Filmes LTDA – empresa que o possibilitou avançar seus conhecimentos no audiovisual. Carlos realizou na mesma época o Cine Jornal, que possibilita hoje que Muriaé seja uma das únicas cidades do país com uma filmoteca com mais de 500 filmes.

Scalla foi amigo de Humberto Mauro (1897-1983), um dos pioneiros do cinema brasileiro.

Hoje, o cineasta reúne uma série de reconhecimentos que firmam sua história. Como o filme “Cinema, uma paixão”, que foi produzido por uma jornalista de Belo Horizonte e relata sua relação com o cinema. O filme recebeu convite para um Festival de Oklahoma que será realizado após a pandemia.

Carlos Scalla durante mostra do Cinema de 2018 no teatro Belmira Vilas Boas

Além disso, seu nome está estampado no Instituto Museu do Cinema Carlos Scalla, composto por diversos equipamentos que juntou ao longo de sua carreira. Nome também colocado na Escola Municipal de Audiovisual Carlos Scalla, que possibilita à população muriaeense o aprendizado e desenvolvimento no audiovisual.

“... eu costumo brincar que o pai vê [o cinema nacional] com o mesmo entusiasmo e as expectativas de um adolescente quando começou a produzir cinema (...) ele vê o cinema como uma ferramenta de ascensão social, tornar do nosso povo visto e lembrado nas telas...”, relatou Bruno.

Carlos Scalla durante um curso ministrado aos alunos de audiovisual

Bruno Bennec: de Muriaé para o mundo

Bruno Bennec nasceu em Muriaé no bairro Rosário, e começou sua carreira aos 13 anos como aluno e ator no Teatro Gregório de Mattos Guerra, onde funciona hoje a Escola Municipal de Teatro da Fundarte - que foi criada por Bennec e a Fundação de Cultura e Artes de Muriaé (Fundarte) há quase 15 anos.

Aos 14 anos conheceu Carlos Scalla, conterrâneo que muito o inspira. Com Scalla, ele teve a oportunidade de fazer “Dos Anjos”, seu primeiro filme como ator, um curta-metragem experimental sobre o poeta Augusto dos Anjos. E na sequência, “Cinema uma paixão”, fazendo o papel de Ronaldo, irmão do cineasta Scalla.

O filme “A luta”, produzido por ele e que teve a sua estreia oficial na 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes em 2017, foi todo rodado em Muriaé, através do edital Usina Criativa, do Polo do Audiovisual da Zona da Mata de Minas. O filme recebeu mais de 20 prêmios em mais de 100 festivais que participou em todo o país.

Bruno atuou como assistente de direção no filme “High School Musical” e em programas de televisão, como: “Um menino muito maluquinho” (TV Brasil) e “Teca na TV” (Canal Futura), além de colaborar em uma extensa lista de produções. Seus trabalhos mais recentes foram na Record, na novela “Apocalipse”, e a participação no filme “Vai que Cola 2” - que estreia dia 01 de outubro nos cinemas.

Participação de Bruno Bennec no filme "Vai que Cola 2" - Foto: Arquivo Pessoal

Além disso, Bennec possui um mais novo trabalho - o documentário recém-lançado em Berlim “A lenda do Caboclo D’água” - conta através do olhar de cidadãos mineiros ribeirinhos de Barra longa, sobre a lenda folclórica do ser que habita as águas dos rios mineiros e tem como pano de fundo a bandeira contra a mineração e a tragédia de Mariana de 2015.

“Sempre acreditem nos seus sonhos, nunca desistam de sonhar, pois o que move a gente são os nossos sonhos e lutas. Hoje em dia é mais fácil começar a experimentar, pois as ferramentas estão mais acessíveis. Se você tem uma boa história pra contar, você pode filmar com o celular e até editar. Experimentando é a melhor maneira de começar. E claro, muita dedicação e estudo”, respondeu Bruno ao ser perguntado sobre o que diria a quem quer começar a fazer cinema.

Bennec também relata que acredita na força do cinema nacional e regional, e que o Polo do Audiovisual da Zona da Mata Mineira tem muito potencial e está produzindo conteúdo de alta qualidade que vêm sendo exibido em streaming, TVs abertas e fechadas, além da internet.

Atualmente Bruno Bennec mora no Rio de Janeiro onde trabalha com cinema, teatro e TV

Cinema Brasileiro

Foi no dia 19 de Junho de 1898, que os irmãos italianos Paschoal Affonso e Segreto realizaram gravações na Baía de Guanabara – que mais tarde viraram imagens do filme “Uma vista da Baía de Guanabara” – e embora não existam registros para comprovar, a data ficou marcada na história e é conhecida hoje como o Dia do Cinema Nacional.

Confira a lista de filmes nacionais que tiveram recorde em bilheteria e ganharam o coração e o entusiasmo dos brasileiros:

10 - O Trapalhão Nas Minas do Rei Salomão

9 - Nada a Perder 2

8 - Se Eu Fosse Você 2

7 - A Dama do Lotação

6 - Minha Mãe é Uma Peça 2

5 - Dona Flor e Seus Dois Maridos

4 - Tropa de Elite 2

3 - Os 10 Mandamentos

2 - Nada a Perder

1 - Minha Mãe é Uma Peça 3

Os longas-metragens realizados no Brasil carregam a essência de um país diverso e criativo, e vêm ganhando cada vez mais destaque, tanto em retorno do público quanto em renda, embora a população ainda tenha resistência em aderir a um cinema diferente dos moldes estadunidenses aos quais estão acostumados. É necessário valorizar e apoiar o cinema local, Muriaé e o Brasil podem e são cenários para fazer arte.

 



Fonte : Academia Internacional de Cinema (AIC); Diário do Estado




COMENTÁRIOS 1


Marilza
Postado no dia 19/06/2021 - 13:27 Cidade: Muriaé - Mg
» Bela matéria parabéns aos profissionais da rádio Muriaé

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