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Na manhã desta terça-feira (24), a Rádio Muriaé recebeu a psicóloga e psicanalista Juliana Bassoli, gerente da equipe multidisciplinar do Hospital São Paulo de Muriaé, para uma entrevista sobre a importância de cuidar da saúde mental de crianças e adolescentes, um tema cada vez mais urgente diante das pressões e mudanças da sociedade atual.

Segundo Juliana, a base de um bom acompanhamento começa dentro de casa, com tempo de qualidade e diálogo aberto. “Manter um diálogo aberto exige construção. É preciso investir tempo com as crianças e adolescentes para que eles sintam que têm espaço para se expressar”, ressaltou.

A especialista destacou ainda que mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta. Alterações no sono, na alimentação, queda no rendimento escolar, isolamento ou perda do interesse por atividades antes prazerosas são exemplos que merecem atenção. “Nem sempre a criança ou adolescente consegue entender ou expressar o que está sentindo. Cabe aos pais e à rede de apoio estarem atentos”, explicou.

Outro ponto enfatizado foi o papel do exemplo dos adultos. “Você não pode exigir disciplina do seu filho em relação ao uso das redes sociais se você mesmo não tem essa disciplina. O exemplo arrasta”, disse Juliana, lembrando que atitudes no dia a dia impactam diretamente na forma como os jovens lidam com as próprias emoções.

Para ela, a construção de uma rotina equilibrada, que inclua alimentação adequada, atividade física, momentos de lazer e até o uso consciente das redes sociais, também favorece o bem-estar. “Não se trata apenas de prescrever tarefas, mas de inserir esses pontos dentro de uma rotina saudável”, destacou.

A psicóloga reforçou ainda que, ao perceber sinais persistentes de sofrimento emocional e ao sentir que as próprias tentativas não surtiram efeito, é hora de buscar apoio profissional. “O momento certo é quando os pais esgotam suas possibilidades ou não sabem como ajustar o que está fora do prumo. O especialista não está ali para substituir a criação, mas para somar forças”, afirmou.

Juliana lembrou que criar uma criança ou adolescente é um desafio coletivo. “Pais não estão sozinhos. Escola, comunidade e profissionais de saúde fazem parte dessa rede de apoio. Às vezes, é preciso convocar mais um braço: o técnico”, completou.

Encerrando a entrevista, a psicóloga deixou um recado aos pais e responsáveis: “Cuidar de um filho é simples, mas trabalhoso. Exige tempo, energia e, acima de tudo, amor. Criança que recebe carinho e atenção tende a se desenvolver de forma saudável e se tornar um bom cidadão no futuro. Nosso maior patrimônio são as crianças, e precisamos investir nelas”.

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