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O mês de abril, dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi tema de uma importante entrevista realizada nesta sexta-feira (03). Profissionais do Instituto Lifesense participaram de um bate-papo destacando a importância da informação, do diagnóstico precoce e do envolvimento da família no desenvolvimento das crianças autistas.
Participaram da conversa a psicóloga Lenice Oliveira, a terapeuta ocupacional Gisele Nobre e a médica especialista em neurodesenvolvimento, doutora Eliza Garonci. Durante a entrevista, as profissionais reforçaram que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta, geralmente, ainda nos primeiros anos de vida, com prejuízos na comunicação, interação social e presença de comportamentos repetitivos.
Segundo a doutora Eliza, cada criança apresenta o autismo de forma única. “Quando falamos em espectro autista, falamos de singularidade. Cada criança tem suas características, sua forma de perceber o mundo e de interagir com ele”, explicou.
A especialista também destacou sinais de alerta, como dificuldades no contato visual, atraso na fala e comportamentos mais rígidos. No entanto, ela reforça que nem todo comportamento isolado indica autismo, sendo necessária uma avaliação profissional criteriosa.
A psicóloga Lenice Oliveira ressaltou a importância do acolhimento das famílias, que muitas vezes chegam aos atendimentos cheias de dúvidas e inseguranças. “Cada família precisa ser orientada e compreendida. É fundamental que ela participe ativamente do processo, porque isso faz toda a diferença na evolução da criança”, afirmou.
Já a terapeuta ocupacional Gisele Nobre explicou que o trabalho é voltado para promover autonomia e independência. “A gente avalia cada criança de forma individual para entender o que está dificultando o desenvolvimento, seja uma questão sensorial, motora ou comportamental, e assim traçar as estratégias de intervenção”, disse.
As profissionais também alertaram para a importância do diagnóstico responsável e do início precoce das intervenções. Segundo elas, o tempo é um fator determinante. “Um mês pode fazer muita diferença no desenvolvimento de uma criança. Não basta apenas dar o diagnóstico, é preciso orientar e direcionar a família”, destacou Eliza.
Outro ponto abordado foi a necessidade da atuação conjunta entre família, escola e equipe terapêutica. Para as especialistas, essa “tríade” é essencial para garantir avanços significativos.
Durante a entrevista, um caso chamou atenção: o de uma criança que chegou ao instituto sem interação e sem conseguir expressar emoções. Após quatro meses de acompanhamento e com participação ativa da família, o paciente já apresenta avanços importantes na comunicação e interação social. “São conquistas que emocionam e mostram o quanto o trabalho integrado faz diferença”, relataram.
Além do tratamento das crianças, o cuidado com as famílias também foi destacado. Projetos voltados ao suporte emocional de pais e responsáveis vêm sendo desenvolvidos, reforçando que o bem-estar familiar impacta diretamente no progresso da criança.
Como mensagem final, as profissionais enfatizaram que a conscientização sobre o autismo deve ir além do mês de abril. Informação, empatia e inclusão verdadeira foram apontadas como pilares fundamentais.
“Não basta falar sobre o tema. É preciso entender para acolher e incluir de verdade. A inclusão não é adaptar a criança ao ambiente, mas sim adaptar o ambiente para recebê-la”, concluiu Lenice.
A entrevista também destacou a realização do 2º Simpósio Sense TEA, marcado para o dia 25 de abril, em Muriaé. O evento será voltado para profissionais, estudantes e famílias, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o autismo e fortalecer a rede de apoio.
A programação completa estará disponível nas redes sociais do Instituto Lifesense.

