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A busca por um corpo definido, redução de peso e melhora da performance física tem ganhado cada vez mais espaço nas redes sociais e nas academias. Mas, segundo a cardiologista doutora Anelise Cocate, a aparência nem sempre representa a real condição de saúde de uma pessoa. Durante participação no quadro Momento Saúde, no estúdio audiovisual da Rádio Muriaé, a médica chamou atenção para o fato de que alterações importantes no organismo podem acontecer de forma silenciosa, mesmo em pessoas que aparentam estar em boa forma.

“Nem sempre o corpo que esteticamente está bonito está saudável. Às vezes a pessoa está com baixo percentual de gordura, se sente bem, mas pode estar com colesterol alto ou alterações que não causam sintomas”, explicou.

A cardiologista destacou que doenças como hipertensão arterial e alterações no colesterol podem evoluir sem sinais aparentes, reforçando que o cuidado deve ir além da estética.

Redes sociais e a pressão pela aparência

Segundo Anelise, o crescimento das redes sociais contribuiu para uma valorização excessiva da imagem, fazendo com que muitas pessoas priorizem resultados visíveis no espelho e deixem a saúde em segundo plano.

“A saúde vem de dentro para fora. O corpo precisa estar alinhado com o funcionamento do organismo”, afirmou.

Ela ressaltou que buscar condicionamento físico e qualidade de vida é positivo, mas é fundamental conciliar atividade física, alimentação adequada e acompanhamento profissional.

Uso de medicamentos para emagrecimento exige avaliação

Outro ponto abordado pela especialista foi o uso indiscriminado das chamadas “canetinhas emagrecedoras”. Para ela, antes de iniciar qualquer medicação, é necessário avaliar as condições do paciente.

“É preciso saber como está a função renal, a função hepática, a glicemia e fazer uma avaliação médica para usar com segurança”, explicou.

De acordo com a cardiologista, o tratamento deve estar associado a hábitos saudáveis, atividade física e preservação da massa muscular.

Pacientes aparentemente saudáveis também podem ter problemas cardíacos

Durante a entrevista, Anelise relatou um caso acompanhado na prática clínica de um paciente jovem, ativo e sem sintomas importantes, que apresentou alterações em exames cardíacos.

Segundo ela, o paciente, que praticava ciclismo e aparentava estar saudável, realizou investigação após uma alteração no eletrocardiograma e foi identificado com calcificação importante nas artérias do coração.

O caso reforçou, segundo a médica, a importância de considerar histórico familiar e realizar exames preventivos.

“Ele era magro, fazia atividade física, mas tinha uma história familiar importante. Esteticamente parecia saudável, mas existia uma doença acontecendo”, contou.

Anabolizantes podem trazer riscos ao coração

A cardiologista também alertou sobre o uso de anabolizantes sem indicação médica, principalmente entre pessoas que frequentam academias e buscam ganho rápido de massa muscular.

Segundo ela, a reposição hormonal só deve ser feita quando existe indicação comprovada e em doses adequadas.

“O problema do anabolizante é a dose elevada usada sem controle, pensando apenas na estética”, afirmou.

Entre os riscos associados ao uso inadequado estão aumento da pressão arterial, piora do colesterol, maior risco de trombose e alterações no músculo cardíaco.

“Para o coração, o uso indiscriminado pode ser muito perigoso”, destacou.

Cardiomiopatia hipertrófica e risco de morte súbita

Outro tema discutido foi a cardiomiopatia hipertrófica, uma doença de origem genética que provoca aumento da espessura do músculo do coração.

A médica explicou que pessoas com essa condição podem ter maior risco de complicações durante esforços físicos, especialmente quando há fatores que aumentam ainda mais a hipertrofia cardíaca.

“O anabolizante pode piorar essa hipertrofia e aumentar o risco de morte súbita em pessoas predispostas”, explicou.

Atenção aos sinais do coração

Annelise reforçou que alguns sintomas durante a prática de exercícios não devem ser ignorados.

Entre os sinais de alerta estão:

  • palpitações durante esforço;
  • dor no peito;
  • falta de ar fora do habitual;
  • tontura durante atividade física;
  • cansaço excessivo.

“Sentiu esses sintomas, procure o cardiologista. Não é algo para deixar passar”, orientou.

Prevenção é o caminho

Para a especialista, o acompanhamento cardiológico deve fazer parte da rotina, especialmente para pessoas que praticam atividades físicas intensas ou possuem fatores de risco.

Ela destacou que exames simples, como exames de sangue, eletrocardiograma e ecocardiograma, podem ajudar na identificação precoce de problemas.

“A saúde vai muito além da aparência. Se o organismo estiver bem por dentro, a estética também será consequência”, finalizou.

 

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