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Embora a sensação de segurança tenha crescido na população, as autoridades de saúde de Muriaé reforçam que a COVID-19 não desapareceu. O vírus agora é considerado endêmico, o que significa que ele continua circulando e sofrendo mutações, exigindo vigilância constante. Em entrevista na manhã desta quinta-feira (22), à Rádio Muriaé, o médico infectologista Dr. Daniel Licy e a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Lara Silva, explicaram o cenário atual e a necessidade de manter a imunização em dia.
De pandemia a endemia: o novo comportamento do vírus
O Dr. Daniel Licy esclareceu que a saída da classificação de pandemia não elimina o risco de complicações. Segundo o médico, o vírus agora se comporta de forma semelhante à influenza (gripe), mantendo taxas de agravamento que ainda preocupam o sistema de saúde. “A doença se modificou do ponto de vista de comportamento […] mas ela continua fazendo casos graves de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave)”, explicou o infectologista.
A comparação com outras doenças respiratórias é direta: os dados de 2024 e 2025 mostram que o percentual de pacientes que precisam de hospitalização ou UTI devido à COVID-19 é comparável ao do vírus H1N1. “A mesma percentual de pacientes graves a gente encontra, inclusive, nas duas doenças, dado isso a importância da gente se precaver”, alertou Lissi.
Grupos de risco e a importância do controle de comorbidades
Mesmo com a imunização natural e artificial, grupos específicos continuam sendo os mais vulneráveis. Idosos, crianças menores de 5 anos, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades (como diabetes e obesidade) possuem maior chance de desenvolver quadros críticos. O médico ressaltou que manter as doenças de base controladas é uma das melhores defesas: “Muitas das vezes as próprias comorbidades mal controladas são responsáveis por um cenário pior de tratamento e um prognóstico pior”.
Sobre a eficácia das vacinas, o especialista foi enfático ao pedir o fim da politização do tema. “A vacina foi um dos principais passos, um dos principais transformadores de qualidade de vida e de sobrevida da população. A ciência mostra os benefícios de se manter vacinado e imunizado para reduzir a chance dos casos graves”, afirmou.
Onde e quem deve se vacinar
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Lara Silva, destacou que o esquema vacinal mudou. Como o vírus da COVID-19 é de RNA e sofre mutações frequentes para burlar o sistema imune, as vacinas tomadas em 2021 ou 2022 já não oferecem a proteção necessária contra as variantes atuais.
Atualmente, a vacinação é recomendada para:
- Crianças de 6 meses a 5 anos;
- Pessoas com comorbidades;
- Gestantes e puérperas;
- Idosos (que devem receber o reforço a cada 6 meses).
Para quem nunca se vacinou, está disponível a dose única. Em Muriaé, o atendimento ocorre em dois canais principais:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS) nos bairros: das 07h30 às 16h.
- Centro de Imunização (próximo à Rodoviária/Prefeitura): das 07h30 às 16h.
A mensagem final das autoridades é clara: a prevenção individual e a adesão às campanhas públicas são as únicas formas de evitar que a doença volte a sobrecarregar os hospitais e causar perdas irreparáveis.