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As doenças cardíacas hereditárias são um tema que, embora muitas vezes passe despercebido, pode ter consequências graves para a saúde. Essas condições têm origem genética e, por isso, podem ser transmitidas de pais para filhos. Para falar sobre o assunto, o programa Momento Saúde recebeu a cardiologista Dra. Annelise Cocatti, que explicou como essas doenças funcionam, como identificá-las e, principalmente, como preveni-las.
Segundo a médica, as doenças cardíacas hereditárias são causadas por mutações na carga genética, o que torna alguns indivíduos mais suscetíveis a problemas cardíacos graves. “Não são tão frequentes, mas quando acometem alguém, é motivo de bastante preocupação”, afirma.
Entre as principais doenças genéticas do coração estão as arritmias cardíacas, como a síndrome de Brugada e a síndrome do QT Longo, que aumentam o risco de arritmias malignas e morte súbita. Também entra na lista a cardiomiopatia hipertrófica, considerada uma das principais causas de morte súbita em atletas com menos de 35 anos. Além disso, destaca-se a hipercolesterolemia familiar, quando mesmo indivíduos com estilo de vida saudável apresentam níveis muito elevados de colesterol devido à genética.
A diferença entre as doenças hereditárias e as adquiridas ao longo da vida também é relevante. “As genéticas podem se manifestar desde a infância, enquanto as adquiridas costumam surgir na vida adulta e são mais relacionadas a fatores ambientais como obesidade, sedentarismo, tabagismo e má alimentação”, explica a especialista.
Dra. Annelise alerta que o histórico familiar é fundamental para o diagnóstico precoce. “Se há casos de infarto em mulheres com menos de 65 anos ou homens antes dos 55, é um sinal de infarto precoce, que pode ter causa genética”, pontua. Ela também chama atenção para quadros de desmaios repentinos – as chamadas síncopes –, que podem indicar arritmias hereditárias.
A avaliação médica, segundo a cardiologista, deve começar com exames simples, como eletrocardiograma, Holter de 24 horas, ecocardiograma (ultrassom do coração), teste ergométrico e exames de sangue para avaliar colesterol e triglicerídeos. Em casos mais específicos, podem ser indicados exames genéticos, embora estes ainda sejam de alto custo e menos acessíveis.
“Nem sempre é necessário chegar ao teste genético. A história familiar e os exames básicos já fornecem muitas informações”, explica a doutora, que ressalta também a importância de manter um acompanhamento contínuo, mesmo para quem ainda não apresenta sintomas. “Fazer exames regularmente pode ajudar a identificar precocemente uma condição genética que, se não for tratada, pode evoluir para infarto, AVC precoce ou até uma pancreatite grave.”
A médica também compartilhou um caso clínico de um paciente com triglicérides acima de 1000 mg/dL sem fatores de risco aparentes, cujo diagnóstico foi de hipertrigliceridemia familiar. “Mesmo com um estilo de vida saudável, ele precisava de tratamento porque o organismo dele produz mais triglicérides”, relata.
Para finalizar, Dra. Annelise destacou que a prevenção e o acompanhamento médico são as melhores armas contra essas doenças silenciosas. “O coração é a nossa fonte de vida. Diagnosticar cedo e tratar desde o início é sempre melhor do que lidar com as consequências depois”, conclui.