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A redação do Enem ainda é, para muitos estudantes, sinônimo de ansiedade. Mas, segundo os professores Marluce e Pedro, do Colégio Santa Marcelina, esse medo diminui quando a escrita deixa de ser vista como um dom e passa a ser tratada como um processo. Em entrevista à Rádio Muriaé, os dois explicaram como o colégio vem desenvolvendo um trabalho contínuo, iniciado ainda no Ensino Fundamental, que prepara o aluno para chegar à prova mais seguro e consciente do próprio desempenho.

Pedro contou que o primeiro passo é ensinar o estudante a entender que todo texto tem um antes, um durante e um depois. Antes de escrever, é preciso ativar repertório, planejar e organizar ideias. Durante a produção, o aluno aprende a relacionar o que sabe à proposta do tema. E, ao final, revisa e identifica seus próprios erros. Esse olhar crítico é reforçado no Ensino Médio com a Oficina de Redação, destacada por Marluce como um dos maiores diferenciais da escola. Ali, cada aluno recebe acompanhamento individual e metas específicas, respeitando suas particularidades. Segundo ela, é isso que garante evolução real: “Os equívocos de um estudante não são os mesmos do outro. A oficina situa o aluno dentro do próprio processo.”

Outro ponto forte da entrevista foi a discussão sobre repertório sociocultural. Ambos os professores afirmaram que o Enem já não aceita mais textos baseados em “repertório de bolso” , aquelas citações decoradas, usadas sem profundidade. O colégio incentiva que cada aluno use o que faz sentido para sua vivência: filmes, músicas, livros, experiências pessoais. Marluce lembrou que isso ficou evidente no tema do Enem deste ano, quando muitos estudantes relacionaram naturalmente o filme “UP” à discussão proposta. Para ela, essa conexão é válida porque parte da realidade do jovem. Pedro reforçou que argumentar não é copiar fórmulas prontas: “Se a ideia serve para qualquer tema, não funciona. A escrita tem que dialogar com quem o aluno é.”

A entrevista também abordou os erros mais comuns na hora de elaborar a intervenção. Muitos alunos até incluem todos os elementos obrigatórios, mas se desconectam da argumentação e acabam perdendo pontos importantes na coerência. “A intervenção tem que resolver aquilo que o próprio aluno apontou no desenvolvimento”, explicou Pedro, destacando que o colégio trabalha essa articulação desde o início da produção textual.

A ansiedade, inevitável nesse período, também foi tema da conversa. Marluce explicou que a Rede Marcelina trabalha habilidades socioemocionais desde a Educação Infantil e que, no Ensino Médio, há um acompanhamento ainda mais próximo. Os simulados ao longo do ano ajudam o estudante a treinar tempo, rotina e raciocínio, além de diminuir a insegurança do dia da prova. Pedro completou dizendo que conhecer o próprio processo dá mais estabilidade: “Quando o aluno sabe por que tirou 880 e o que precisa fazer para chegar ao 960, ele se sente mais seguro.”

Os resultados já aparecem. Segundo os professores, os alunos hoje reconhecem seus próprios textos, sabem onde vão perder pontos e até antecipam correções. Para Marluce, isso mostra que o projeto tem cumprido seu papel: formar estudantes críticos, conscientes e capazes de construir textos autorais.

Ao final, os dois deixaram uma mensagem aos alunos que fizeram o Enem este ano e aos que se preparam para o próximo. O recado foi simples e verdadeiro: confiar no próprio percurso. “A gente nunca se arrepende de ter se esforçado”, disse Marluce, lembrando que nenhuma nota define todo o caminho percorrido. O Santa Marcelina segue de portas abertas para quem deseja crescer na escrita e se preparar para os desafios dos vestibulares.

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