Em entrevista ao quadro “Momento Saúde”, as médicas Dra. Anelise Cocate, especialista em cardiologia, e Dra. Poliana Leite, geriatra, destacaram a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico regular e da atenção aos sinais que muitas vezes são confundidos com “coisas da idade”.
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As doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo, especialmente entre os idosos.

Em entrevista ao quadro “Momento Saúde”, as médicas Dra. Anelise Cocate, especialista em cardiologia, e Dra. Poliana Leite, geriatra, destacaram a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico regular e da atenção aos sinais que muitas vezes são confundidos com “coisas da idade”.

Segundo Dra. Anelise, um dos problemas mais comuns e ainda pouco diagnosticados é a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Nesses casos, o coração mantém a força de bombeamento aparentemente normal, mas apresenta alterações estruturais e dificuldade de relaxamento, comprometendo o funcionamento adequado do órgão.

Ela explicou que sintomas como cansaço, falta de ar e redução da disposição não devem ser encarados como normais do envelhecimento. “Muitas vezes o paciente ou a família acredita que é comum o idoso cansar mais, mas isso precisa ser investigado”, ressaltou.

A geriatra Dra. Poliana reforçou que a perda de capacidade física, como dificuldade para subir escadas ou caminhar pequenas distâncias, merece atenção médica. Segundo ela, problemas cardíacos, pulmonares e até perda de força muscular podem estar relacionados aos sintomas.

Outro tema abordado foi o uso de anticoagulantes em idosos, especialmente em casos de arritmias como a fibrilação atrial. As especialistas destacaram que ainda existe muito receio em relação ao risco de sangramentos, mas afirmaram que, na maioria das vezes, os benefícios do tratamento superam os riscos, principalmente na prevenção de AVCs.

“As pessoas têm medo por causa da idade e do risco de quedas, mas hoje existem medicamentos mais seguros e protocolos bem definidos. A idade, sozinha, não é contraindicação para anticoagulação”, explicou Dra. Poliana.

As médicas também alertaram para os perigos da automedicação e das alterações nas doses feitas sem orientação profissional. De acordo com elas, reduzir ou suspender medicamentos por conta própria pode comprometer a eficácia do tratamento e aumentar o risco de complicações graves.

Outro ponto importante foi a hipertensão arterial em idosos. As especialistas reforçaram que pressão alta não deve ser considerada “normal para a idade”. Apesar das metas de tratamento variarem conforme o perfil e a fragilidade do paciente, o controle da pressão continua sendo fundamental para evitar AVC, insuficiência cardíaca e outros problemas cardiovasculares.

Durante a conversa, as médicas destacaram ainda a importância do acompanhamento conjunto entre cardiologia e geriatria. Enquanto o cardiologista atua diretamente nas doenças do coração, o geriatra avalia o idoso de forma global, considerando funcionalidade, autonomia, fragilidade e qualidade de vida.

Na mensagem final, ambas reforçaram a necessidade de acompanhamento preventivo e regular, sem esperar o surgimento de crises ou complicações mais graves. “Cuidar do coração é cuidar da vida, especialmente na terceira idade”, concluíram.

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