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Familiares e amigos de Kawan Crudelli Antão, de 27 anos, realizaram uma motociata pelas ruas de Muriaé nesta quinta-feira (11) para pedir justiça e acompanhar de perto o julgamento de Jhonata Gabriel Santos da Silva, acusado de matar o jovem em janeiro do ano passado.
O caso causou grande comoção na cidade desde o crime, ocorrido na Cachoeira do Rio Preto. Segundo as investigações da Polícia Civil, Kawan foi atingido por diversos disparos durante uma confusão. Após o homicídio, Jhonata Gabriel ficou foragido por semanas, sendo localizado e preso no dia 14 de fevereiro de 2025, em Barra de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, durante uma operação conjunta da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Muriaé e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Antes do julgamento, familiares e amigos participaram de uma motociata pelas ruas da cidade cobrando justiça. Entre os participantes estava Alessandro, pai da vítima, que falou sobre a expectativa da família.
“Nós queremos justiça porque o menino foi morto inocente. Nós queremos que o povo veja essa nossa manifestação. Queremos sentir no coração a paz hoje. Que o juiz faça o que é o certo e condene ele, porque ele precisa ser condenado para essa justiça ser feita. É isso que nós queremos”, declarou.
A expectativa, porém, acabou frustrada. O julgamento não foi realizado após o acusado apresentar, na véspera da sessão, um documento escrito de próprio punho destituindo o advogado que o representava durante todo o processo.
Em pronunciamento à imprensa, a juíza responsávelpelo caso, Dra. Michelle Felipe Camarinha de Almeida, explicou que, mesmo diante da situação, a sessão foi instalada normalmente, já que havia a expectativa de que o réu comparecesse acompanhado de um novo defensor. O advogado dispensado também compareceu ao fórum e se colocou à disposição para atuar no julgamento.
Segundo a magistrada, o acusado foi chamado ao plenário e informado de que poderia voltar a constituir o mesmo advogado que estava presente e preparado para fazer sua defesa. Também foi alertado de que a pauta do Tribunal do Júri de Muriaé já está preenchida para este ano e que um eventual adiamento faria com que o caso fosse julgado apenas em 2027.
Após conversar com o advogado, o réu manteve a decisão de dispensá-lo. Como não apresentou outro defensor para assumir sua representação, a Justiça entendeu que ele ficaria sem defesa técnica, situação que impediria a realização do julgamento e poderia gerar nulidade processual.
“A gente explicou a situação para ele e que ele inclusive poderia constituir novamente o mesmo advogado que estava aqui presente, pronto para realizar o julgamento. Mas ele manteve a decisão de desconstituir o advogado. Uma vez desconstituído o advogado, o réu fica indefeso. Como ele não apresentou um novo advogado, o júri não pode ocorrer sob pena de gerar uma nulidade”, explicou a juíza.
A magistrada afirmou ainda que não é possível saber qual foi a motivação do acusado para pedir o adiamento.
“Eu não estou na cabeça do réu. Não posso dizer qual é a intenção dele. Pelo fato que nós temos no processo, eu acho que adiar um feito, principalmente quando nós temos um réu preso, só é prejudicial a ele mesmo, porque ele vai ficar mais tempo preso”, declarou.
Após o anúncio do adiamento, a mãe de Kawan, Carina, demonstrou indignação com a decisão e afirmou que a família seguirá buscando justiça.
“O sentimento é de indignação. É até assustador. A gente fica trêmula porque está doido por justiça para o meu filho. Ele era um trabalhador, pai de família. E agora ter mais um ano para constituir defesa? Que defesa? Havia centenas de pessoas na cachoeira, todo mundo viu o que aconteceu”, afirmou.
Durante o desabafo, Carina relembrou os momentos que antecederam a morte do filho e contestou qualquer argumento de legítima defesa.
“Meu filho correu, tentou se defender, tentou se salvar e não conseguiu. Ele só corria enquanto levava tiros. Não teve como se salvar. A gente quer justiça pelo que aconteceu”, disse.
Diante da impossibilidade legal de prosseguir com a sessão, uma nova data foi marcada para abril de 2027. O acusado saiu intimado para constituir um novo advogado no prazo de cinco dias. Caso não faça a indicação, será assistido pela Defensoria Pública.
O adiamento frustrou a expectativa dos familiares e amigos de Kawan, que haviam se mobilizado durante toda a manhã em busca de uma resposta da Justiça para um dos casos que mais marcaram a cidade nos últimos anos.




