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Foto: Jaiane Ventura | Newzi Agência

Dentro das ações do Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, a Rádio Muriaé recebeu em seus estúdios a dentista estomatologista Dra. Neliana Salomão. A especialista detalhou como o estado emocional de um paciente reflete diretamente na saúde da boca, muitas vezes servindo como um sinal de alerta para o que acontece na mente. Segundo a doutora, a conexão entre essas duas áreas é profunda e pode se manifestar de diversas formas, desde a simples negligência com o fio dental até o desenvolvimento de doenças complexas.

Um dos pontos centrais do bate-papo foi o impacto que transtornos como ansiedade e depressão causam na rotina de cuidados. A Dra. Neliana explicou que pacientes que enfrentam momentos difíceis tendem a negligenciar a higiene básica, como a escovação correta e o uso do fio dental. Essa falta de cuidado abre portas para processos inflamatórios, como a gengivite e a doença periodontal, que compromete o suporte dos dentes. Além do problema físico, o impacto estético e o mau hálito resultantes podem isolar ainda mais o indivíduo, agravando seu quadro emocional em um ciclo vicioso prejudicial.

Outro fator importante mencionado na entrevista é o efeito colateral de medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos. Grande parte dessas substâncias bloqueia a acetilcolina, um neurotransmissor que regula as glândulas salivares, resultando na sensação de boca seca (xerostomia). A redução do fluxo de saliva é perigosa, pois a saliva funciona como uma limpeza mecânica natural; sem ela, o risco de cáries e outras infecções aumenta consideravelmente. A recomendação da especialista é que o tratamento seja interdisciplinar, com uma comunicação aberta entre o dentista e o psiquiatra para avaliar possíveis ajustes na medicação e o uso de recursos como saliva artificial, além de reforçar a ingestão constante de água.

A saúde mental também se manifesta fisicamente através de lesões e hábitos parafuncionais. O estresse e a ansiedade são gatilhos comuns para o surgimento de herpes labial e estomatite aftosa recorrente (aftas), devido à queda na imunidade. Além disso, o bruxismo e o apertamento dos dentes são reflexos claros de tensões emocionais, muitas vezes percebidos por dores musculares ao acordar. A Dra. Neliana destacou ainda o Líquen Plano Oral como uma condição frequentemente diagnosticada em seu consultório com forte componente emocional.

Para finalizar, a dentista reforçou a importância do autoexame bucal e de um olhar humanizado por parte dos profissionais de saúde. Ao observar feridas que não cicatrizam, sangramentos espontâneos ou alterações na língua e no hálito, o paciente deve buscar ajuda especializada. Segundo ela, o dentista não deve olhar apenas para o dente, mas para a pessoa como um todo, entendendo a raiz do problema para garantir não apenas um sorriso bonito, mas qualidade de vida real.

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