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O mês de março é marcado pela campanha Março Azul Marinho, dedicada à conscientização e prevenção do câncer colorretal. Em entrevista à Rádio Muriaé, o médico gastroenterologista Dr. Tiago Bastos, que atua na Fundação Cristiano Varella, trouxe dados preocupantes e orientações vitais sobre a doença que mais cresce no Brasil.
O Avanço da Doença e o Perfil dos Pacientes
Segundo dados do INCA, são registrados cerca de 50 mil novos casos por ano no país. O Dr. Tiago destaca que, desde 2012, houve um aumento de 80% nos diagnósticos, com uma projeção de crescimento de mais 40% até 2040.
Um ponto que chama a atenção dos médicos é a mudança na faixa etária. “Antigamente, víamos esse tumor em pessoas entre 65 e 80 anos. Hoje, a maioria dos casos gira em torno de 50 a 60 anos, mas temos visto pacientes cada vez mais jovens, na faixa dos 30 anos”, explica o médico.
Fatores de Risco: O “Mal do Século”
A mudança nos hábitos de vida é a principal explicação para o aumento de casos em jovens. O especialista listou os principais vilões:
- Alimentos Ultraprocessados: Nuggets, hambúrgueres, salsicha, presunto, salame e alimentos defumados.
- Estilo de Vida: Obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo.
- Hereditariedade: Parentes de primeiro grau (pais e irmãos) com histórico da doença elevam o risco.
Como Prevenir?
Diferente de outros tipos de câncer, o colorretal é altamente evitável. O segredo está na colonoscopia. O Dr. Tiago explica que o câncer geralmente começa como um pólipo (uma pequena lesão benigna).
“Se fazemos a colonoscopia e retiramos o pólipo, o câncer simplesmente não acontece. Esse processo de transformação de um pólipo em tumor leva de 10 a 12 anos. É tempo suficiente para agir.”
As recomendações de saúde incluem:
- Exames: Iniciar o rastreio aos 45 anos (ou 10 anos antes do diagnóstico de um parente próximo).
- Alimentação: Reduzir carne vermelha (limite de 500g por semana) e priorizar fibras (frutas e folhas).
- Hidratação: Ingestão constante de água para a saúde intestinal.
Sintomas e Diagnóstico Precoce
O grande desafio é que o câncer colorretal é silencioso. Quando surgem sintomas (como sangue nas fezes, mudança repentina no hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia alternadas), muco ou emagrecimento sem causa aparente) a doença costuma estar em estágio avançado. Atualmente, 55% dos diagnósticos no Brasil ocorrem em fases tardias.
No entanto, o Dr. Tiago encerra com uma mensagem de otimismo: “Quando diagnosticado em fase precoce, o câncer colorretal tem cerca de 95% de chance de cura”. O exame de colonoscopia é indolor, realizado sob sedação e está disponível tanto na rede particular quanto pelo SUS, através dos consórcios de saúde municipais.

