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As novas regras para o processo de habilitação no Brasil já começam a provocar impactos significativos no setor de formação de condutores. Em Muriaé, o proprietário de uma das auto escolas mais antigas da cidade, Ivo Vardiero, afirmou em entrevista à Rádio Muriaé que a procura por novos alunos caiu cerca de 70% desde o anúncio das alterações. Segundo ele, ainda não é possível afirmar que as autoescolas vão acabar, mas o cenário é preocupante. “A procura já caiu muito. Podemos falar em algo em torno de 70%. O impacto é bastante grande para a sobrevivência das autoescolas”, disse.
As mudanças incluem o fim da obrigatoriedade das aulas práticas nas autoescolas, que antes exigiam no mínimo 20 horas e agora podem ser reduzidas para apenas duas, caso o aluno opte por realizá-las em uma instituição. As aulas teóricas também deixam de ter carga horária obrigatória, e o conteúdo será disponibilizado gratuitamente na internet. Além disso, o candidato poderá realizar parte do treinamento com instrutores autônomos.
Para Vardiero, essa redução afeta diretamente a qualidade da formação dos futuros motoristas. “Com 20 aulas já é difícil. Imagine com apenas duas. Não dá tempo de aprender”, afirmou. Ele acredita que o índice de reprovação nos exames práticos deve aumentar e alerta para riscos à segurança no trânsito. “Nas autoescolas, os veículos são preparados com pedais e comandos adicionais para garantir a segurança. Já com instrutores autônomos, não sabemos se isso será exigido”, explicou. O empresário também destacou que, embora Muriaé tenha um trânsito mais tranquilo, “em grandes cidades, onde há vias largas e maior velocidade, a falta de preparo pode ser ainda mais perigosa”.
Vardiero também rebate a ideia de que o processo de habilitação deve ficar mais barato. “As taxas do Estado, que hoje ultrapassam R$ 858 para a primeira habilitação, não vão reduzir. O que diminui é apenas o custo das autoescolas, que não é a parte mais cara do processo”, afirmou. Segundo ele, muitos alunos hoje já precisam de aulas extras para conseguir se preparar adequadamente. “A carga teórica até poderia ser diminuída, mas as aulas práticas deveriam ser revistas, talvez até ampliadas. Duas aulas é muito pouco.”
O setor aguarda agora a definição oficial das mudanças, que devem ser publicadas em breve no Diário Oficial. Enquanto isso, autoescolas de todo o país acompanham com preocupação o impacto das novas regras na formação dos futuros motoristas.