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Na manhã desta quarta-feira (15), dois professores participaram de uma entrevista especial em homenagem ao Dia do Professor. Thaís e Sandro, com 15 e 27 anos de carreira respectivamente, conversaram sobre a profissão, os desafios atuais e as transformações na educação.
Thaís contou que sua trajetória na docência começou a partir da graduação em pedagogia e que o interesse pela área foi sendo construído ao longo da formação. Hoje, atua no ensino superior, formando futuros professores do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Ela destacou que ser professor vai muito além de vocação. “É preciso conhecimento, formação sólida e constante atualização. A gente acompanha o mundo e tenta inovar em sala de aula”, afirmou.
Já Sandro relatou que se formou em Administração e iniciou a docência paralelamente à carreira na área de gestão de pessoas, até se dedicar exclusivamente ao magistério em 1998. Segundo ele, o trabalho com educação abriu portas para o aprendizado contínuo. “A gente não se forma, a gente está em formação o tempo todo”, disse.
Acesso à educação e tecnologia
Thaís destacou o avanço das políticas públicas que facilitaram o acesso à escola básica e ao ensino superior, como transporte escolar, livros didáticos, alimentação, uniformes e programas de incentivo, como o Pé de Meia. No entanto, ela alertou para o desafio atual: transformar a facilidade de acesso à informação em conhecimento. “Nunca tivemos tanta informação tão rápido. O desafio é ajudar o aluno a discernir e ser crítico”, pontuou.
A proibição do uso de celulares na educação básica também foi comentada. Ela explicou que a lei não impede o uso pedagógico, mas combate a distração. Relatou que pesquisas já mostram melhora no desempenho após a restrição. João Vitor observou que, ao contrário do passado, hoje a tecnologia é incorporada às aulas.
Sandro citou o uso da inteligência artificial como exemplo do equilíbrio necessário. “Pode usar? Pode. Mas tem que saber usar. Nem sempre a informação vem atualizada”, alertou, ao comentar uma experiência com cálculos salariais feitos pela IA com tabelas defasadas.
Mudanças de hábitos e métodos
Os professores também falaram sobre a substituição dos cadernos pelo uso de fotos e gravações. Mesmo assim, Sandro relatou turmas que ainda preferem escrever à mão, o que ele considera positivo para o aprendizado. Thaís explicou que diferentes estilos de aprendizagem exigem abordagens variadas. Alguns alunos aprendem melhor com imagens, outros com escrita, som ou anotações.
Questionados sobre práticas antigas que poderiam ser resgatadas, Sandro demonstrou preocupação com a perda do hábito da leitura. Para ele, o excesso de resumos e frases curtas não pode substituir o contato com textos mais densos e autores clássicos.
Thaís ressaltou que um dos grandes problemas atuais é a confusão entre as funções da escola e da família. “Antigamente havia uma divisão mais clara. Hoje, muitos papéis se misturam e a escola acaba absorvendo demandas que vão além da sua função principal, que é ensinar”, comentou.
Valorização e futuro da profissão
Sandro ressaltou que os professores da educação infantil e básica são a base de tudo. Thaís aproveitou a data para fazer um alerta: “Nós temos um problema sério de futuramente vivenciarmos um apagão de professores no Brasil.” Segundo ela, muitos estudantes chegam ao curso de licenciatura sem querer seguir a carreira, mas mudam de opinião ao longo da formação.
Ela também deixou um abraço especial aos colegas do campus e aos alunos que estão em formação docente. Ambos reforçaram a necessidade de valorização salarial e respeito à categoria.
A entrevista terminou com agradecimentos e homenagens a todos os profissionais da educação, reforçando que o trabalho do professor é determinante para o futuro da sociedade.

