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A obesidade vai muito além da questão estética e representa um importante fator de risco para a saúde cardiovascular. O assunto foi tema de uma entrevista no estúdio audiovisual da Rádio Muriaé com a médica cardiologista Anelise Cocate, que explicou como o excesso de gordura corporal pode contribuir para o desenvolvimento de doenças como hipertensão, diabetes, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Durante a conversa, a especialista destacou que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, que pode provocar alterações metabólicas e processos inflamatórios no organismo, aumentando os riscos para o coração.
Um dos pontos abordados foi a gordura visceral, localizada na região abdominal e ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino. Segundo a cardiologista, esse tipo de gordura possui atividade inflamatória e está associado ao aumento do risco de aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
A médica também explicou que a obesidade pode estar relacionada ao aumento da pressão arterial, à resistência à insulina, à elevação da glicose e às alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos. A combinação desses fatores contribui para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares.
Avaliação vai além do peso na balança
Outro aspecto destacado na entrevista foi a importância de não avaliar a saúde de uma pessoa apenas pelo peso ou pelo Índice de Massa Corporal (IMC). De acordo com Anelise Cocate, a composição corporal também precisa ser considerada, já que o peso elevado pode estar relacionado tanto ao aumento da massa muscular quanto ao excesso de gordura.
Nesse contexto, a avaliação da gordura corporal e da circunferência abdominal pode ajudar a identificar riscos metabólicos. A especialista ressaltou ainda que o emagrecimento deve priorizar a redução da gordura corporal, especialmente a visceral, sem comprometer a massa muscular.
A cardiologista também reforçou a importância da alimentação saudável e da prática regular de atividades físicas. Exercícios aeróbicos e musculação podem contribuir para a perda de gordura, a preservação da massa muscular e a melhora da saúde metabólica.
Medicamentos exigem acompanhamento médico
O uso de medicamentos para o tratamento da obesidade também foi discutido durante a entrevista. Segundo a médica, esses recursos podem auxiliar no processo de emagrecimento, mas não devem substituir os cuidados com a alimentação, a atividade física e o acompanhamento profissional.
A utilização dessas medicações exige avaliação individualizada, com atenção à dosagem, aos possíveis efeitos colaterais, à pressão arterial, à glicose e à preservação da massa muscular. A automedicação e a perda de peso sem orientação podem trazer riscos à saúde.
Ao final da entrevista, Anelise Cocate orientou quem deseja emagrecer e proteger o coração a começar por uma avaliação médica. O acompanhamento permite identificar fatores de risco, solicitar os exames necessários e estabelecer estratégias adequadas para cada paciente.
A especialista reforçou que perder peso pode trazer benefícios importantes para o coração e para o metabolismo, mas o processo deve ocorrer de maneira segura e sustentável, evitando práticas inadequadas e o chamado efeito sanfona.
