WhatsApp
Facebook

A prevenção do câncer do colo do útero foi o tema central de uma entrevista especial realizada no estúdio de audiovisual da Rádio Muriaé, com a participação da cirurgiã oncológica Dra. Laís Botelho. Durante a conversa, a médica fez um alerta direto às mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce, da vacinação contra o HPV e da realização regular dos exames de rastreio.

De acordo com a especialista, o câncer do colo do útero se desenvolve a partir de células que passam por alterações e formam lesões na região do colo do útero, podendo evoluir para um tumor maligno. Apesar de ser um dos tipos de câncer mais preveníveis, o Brasil ainda registra cerca de 17 mil novos casos por ano, número considerado alto justamente pela existência de métodos eficazes de prevenção.

Um dos principais fatores associados à doença é o HPV (Papilomavírus Humano), vírus sexualmente transmissível responsável por aproximadamente 90% dos casos de câncer do colo do útero. Segundo a médica, cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida, o que torna o tema um problema de saúde pública e não uma questão individual.

“A infecção pelo HPV é comum. Basta uma relação sexual para que haja contato com o vírus. Isso não está relacionado a promiscuidade ou número de parceiros, mas sim à exposição”, explicou a doutora.

Rastreamento e diagnóstico precoce

A Dra. Laís destacou dois principais exames utilizados no rastreio da doença: o tradicional preventivo, conhecido como Papanicolau, e o teste de DNA HPV, que vem sendo gradualmente adotado pelo Ministério da Saúde como novo método de rastreamento.

O Papanicolau identifica lesões já existentes no colo do útero, enquanto o teste de DNA HPV permite detectar a presença do vírus antes mesmo do surgimento das lesões, possibilitando uma atuação ainda mais precoce. A partir do resultado do exame, a paciente passa a ter um acompanhamento individualizado, que pode incluir novos exames, biópsias ou apenas seguimento clínico.

O preventivo deve ser realizado anualmente por toda mulher que já tenha iniciado a vida sexual, independentemente de estado civil, idade ou frequência de relações. Já o teste de DNA HPV tem periodicidade variável, podendo ser anual, a cada três anos ou até a cada cinco anos, conforme o resultado.

Vacina contra o HPV

Outro ponto central da entrevista foi a vacinação contra o HPV, considerada uma das medidas mais eficazes de prevenção. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos. Em Muriaé, a rede pública oferece a vacina nonavalente, que protege contra nove tipos do vírus.

Para quem está fora dessa faixa etária, a vacina também está disponível na rede privada para homens e mulheres até os 45 anos.

“A vacina é um investimento em saúde. Mesmo para quem já iniciou a vida sexual, ela reduz as chances de ativação do vírus e o desenvolvimento de lesões”, destacou a médica.

Estudos internacionais demonstram que adolescentes vacinados antes da primeira relação sexual não desenvolveram câncer do colo do útero ao longo de anos de acompanhamento, reforçando o potencial da vacinação como ferramenta capaz de erradicar a doença no futuro.

Sinais de alerta

A especialista também orientou sobre os sintomas que devem servir de alerta para a mulher procurar atendimento médico. Entre eles estão:

  • sangramento fora do período menstrual

  • dor durante ou após a relação sexual

  • sangramento após a relação sexual

  • corrimentos persistentes

  • dor ao urinar

  • dor ao evacuar

Mesmo na ausência de sintomas, o acompanhamento ginecológico anual é indispensável. “A mulher só consegue perceber mudanças no corpo quando acompanha sua saúde regularmente”, reforçou.

Atendimento em Muriaé

A Dra. Laís Botelho atende no Hospital do Câncer de Muriaé, na Fundação Cristiano Varela, onde realiza cirurgias, e também em consultório particular. O agendamento de consultas pode ser feito pelo link disponível em seu Instagram: @dralaisbotelho.

A entrevista reforça um recado claro: prevenção salva vidas. Vacinação, exames regulares e informação continuam sendo as principais armas no combate ao câncer do colo do útero.

Siga a Rádio Muriaé através de nossas redes sociais, clicando nos ícones abaixo: