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Com a chegada no inverno ao final do mês de junho, a Rádio Muriaé recebeu em seu estúdio audiovisual a médica otorrinolaringologista Dra. Thaís Fonseca, especialista no tratamento e prevenção de doenças respiratórias. Em entrevista, a médica detalhou os motivos pelos quais o período frio é tão crítico para a saúde nasal, diferenciou sintomas comuns e trouxe orientações práticas de prevenção para as famílias.
Por que adoecemos mais no inverno?
Segundo a Dra. Thaís Fonseca, o aumento de casos de rinite, sinusite e gripes nesta época do ano não é mera coincidência. Há fatores climáticos e comportamentais determinantes:
- Proliferação viral: As baixas temperaturas contribuem diretamente para a propagação dos vírus que causam infecções respiratórias.
- Falta de sol e ventilação: Com a menor incidência solar e a tendência de mantermos portas e janelas fechadas por causa do frio, os ambientes domésticos (como quartos, camas e travesseiros) ficam menos arejados, favorecendo o acúmulo de alérgenos.
- Aglomerações: Ao contrário do verão, no inverno as pessoas tendem a se reunir em locais fechados, o que facilita a transmissão de doenças virais.
Resfriado ou Rinite? Saiba como diferenciar
Uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios, segundo a otorrino, é saber se o paciente está resfriado ou sofrendo com uma crise alérgica. A médica explica que, nos três primeiros dias, os sintomas irritativos locais são muito parecidos (coceira no nariz, espirros e coriza). No entanto, a diferenciação ocorre pelos sintomas sistêmicos:
“O resfriado costuma vir acompanhado de dor no corpo, febre baixa e dor de garganta. Esses sintomas sistêmicos não estão presentes na rinite, que se restringe puramente aos sintomas alérgicos de coceira, espirros e coriza”, esclarece a médica.
O perigo oculto nos quartos: Ácaros e Fungos
Para quem já sofre com alergias, o inverno exige atenção redobrada. A especialista aponta que a poeira doméstica esconde os grandes vilões da estação: os ácaros e os fungos. Ambientes úmidos e fechados são o cenário ideal para que eles se proliferem em colchões, cortinas, bichos de pelúcia e paredes.
Questionada sobre o papel do ar-condicionado, Dra. Thaís desmistificou a fama de “vilão” do aparelho. Na verdade, o ar-condicionado resseca o ambiente, o que é ruim para ácaros e fungos, que gostam de umidade. Contudo, o perigo real está na falta de manutenção. A recomendação da Sociedade de Alergia é clara: o filtro deve ser limpo pelo menos uma vez por mês pelo próprio usuário, e uma higienização profissional completa deve ser feita a cada seis meses.
Dicas práticas de prevenção
Para proteger a população em geral, e especialmente os grupos mais vulneráveis como bebês, crianças e idosos, a Dra. Thaís Fonseca listou cuidados essenciais para o dia a dia:
- Evitar locais fechados e aglomerações (especialmente se estiver com sintomas gripais);
- Utilizar capas hipoalergênicas no colchão e nos travesseiros;
- Evitar o uso de vassouras, que suspendem a poeira no ar. Substitua por aspirador de pó ou pano úmido;
- Se possível, lavar roupas de cama com água quente;
- Retirar tapetes, cortinas e excesso de estofados do quarto de pessoas alérgicas.
Quando procurar um especialista e o tratamento para Sinusite
A médica alerta que nenhum sintoma respiratório deve ser negligenciado se estiver impactando o cotidiano do paciente. “Se os sintomas de espirro, coriza ou obstrução nasal persistirem por dias, o ideal é procurar o otorrino. Respirar bem garante qualidade no trabalho, no sono e nas atividades físicas”, afirma.
Sobre a sinusite, frequentemente confundida com qualquer dor de cabeça, a especialista explicou que a sinusite crônica passa de quatro semanas de evolução e vem acompanhada de pressão facial, nariz entupido, secreção persistente e pigarro.
Para os casos em que o tratamento clínico medicamentoso não resolve, a medicina hoje conta com a cirurgia endoscópica nasosinusal. Trata-se de um procedimento funcional minimamente invasivo, feito com o auxílio de endoscópio, que limpa os seios da face, desobstrui o acúmulo crônico e devolve a ventilação e a qualidade de vida ao paciente.
Ao final da entrevista, a médica reforçou o movimento wellness (bem-estar), lembrando que a correção de um problema nasal pode, inclusive, resolver queixas graves de insônia e sono fragmentado.
Dra. Thaís Fonseca atende às segundas-feiras na Fundação Cristiano Varela.
Instagram: @thaisdfonseca