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O Grupo Conviver Alzheimer, de Muriaé, vem se consolidando como uma rede de apoio fundamental para familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer. Fundado em 2017 por Nilza, que enfrentou de perto os desafios de cuidar de uma tia com a doença, o grupo nasceu da necessidade de acolher quem, como ela, não sabia por onde começar.

“Criamos o grupo sob livre e espontânea pressão”, contou ela explicando que, na época, lidava com comportamentos da tia que não compreendia e sentia-se sozinha. “Quanto mais eu conhecia a doença, melhor eu conseguia cuidar. Hoje, eu passo isso pra frente.”

Em entrevista à Rádio Muriaé, Nilza e Marluce, outra integrante do grupo e cuidadora da mãe há 12 anos, compartilharam vivências emocionantes e importantes aprendizados. Marluce destacou que, embora o diagnóstico de Alzheimer seja assustador no início, o tempo e a informação ajudam. “Eu achava que minha mãe ia parar de andar, de falar, mas hoje ela se comunica, anda com ajuda e se alimenta bem. O diagnóstico precoce fez diferença.” Ela reforçou ainda a importância da empatia no cuidado. “Eles esquecem os fatos, mas os sentimentos ficam. Às vezes minha mãe não lembra que sou filha, mas diz que gosta de mim. O amor continua.”

O grupo realiza reuniões mensais na sala 6 da Paróquia São Paulo, sempre na última quinta-feira do mês, e é aberto a todos que queiram participar, mesmo que não tenham familiares com a doença. “Muitas pessoas do grupo continuam mesmo depois que seus entes faleceram. Porque entendem a importância de apoiar quem ainda está nessa jornada”, explicou Nilza.

Neste sábado (21), o Grupo Conviver participará do evento “Setembro em Cores”, promovido pela Prefeitura de Muriaé, com foco na campanha Setembro Lilás. A ação será na Praça João Pinheiro, a partir das 8h, com aferição de pressão e glicose, distribuição de materiais informativos e presença de profissionais para tirar dúvidas da população. “Mesmo que você não esteja passando por isso agora, venha. Conhecer é uma forma de ajudar”, convidou Marluce.

A iniciativa também conta com o apoio da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Em mensagens exibidas durante o programa, especialistas reforçaram a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e da não exclusão do paciente do convívio familiar. “Nunca isole a pessoa com demência. Quanto mais estimulação ela tiver, melhor será sua qualidade de vida”, destacou o médico psiconeurogeriatra Dr. Sérgio Fonseca, presidente da ABRAz-MG.

Além do grupo presencial, os cuidadores também se conectam pelo WhatsApp, já que muitos não conseguem sair de casa devido à necessidade de atenção integral aos familiares. “Sozinho, ninguém consegue. A rede de apoio é essencial”, disse Marluce, que também recomendou o canal no YouTube “O Bom do Alzheimer”, com dicas práticas para tornar o cuidado mais leve e humano.

Com quase oito anos de atuação, o Grupo Conviver continua sua missão de acolher, orientar e dividir experiências. “O Alzheimer apaga muitas histórias, mas com paciência e carinho, ainda podemos escrever muitas outras”, concluiu Nilza.

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