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Durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos, a Rádio Muriaé entrevistou a coordenadora da equipe de doação de órgãos para transplantes do Hospital São Paulo, em Muriaé, Lucymary Lacerda. A conversa esclareceu dúvidas e destacou como funciona o processo que pode transformar a perda de um paciente em esperança para quem aguarda um transplante.
Um dos principais pontos abordados foi a fila de espera por transplantes. Atualmente, milhares de brasileiros aguardam por um órgão ou tecido. No material de conscientização divulgado pelo Hospital São Paulo, o número é apresentado como quase 50 mil pessoas.
A coordenadora explicou ainda que a doação não é uma negociação e não gera qualquer pagamento à família. A doação é um ato voluntário e o processo de transplante é realizado dentro do sistema público de saúde, seguindo critérios médicos e técnicos.
Mas afinal, quem decide para quem vai o órgão doado? A distribuição não é feita pelo hospital ou pela família do doador. O processo é coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde. Os órgãos são destinados a pacientes cadastrados em uma lista única, seguindo critérios como compatibilidade, tempo de espera e urgência do caso.
Após a autorização familiar e a confirmação da morte encefálica, a Central de Transplantes realiza os procedimentos de compatibilidade e, por meio de um sistema informatizado, identifica os possíveis receptores. Quando necessário, o órgão pode inclusive ser disponibilizado para outro estado.
Na entrevista, também foi reforçado que qualquer pessoa pode ser um potencial doador, desde que sejam respeitados os critérios médicos. Podem ser doados órgãos como coração, pulmões, fígado, rins e pâncreas, além de tecidos como as córneas.
No Brasil, a autorização da família é indispensável. Por isso, a principal orientação da campanha é que quem deseja ser doador converse com seus familiares e deixe clara essa vontade.
O Setembro Verde, portanto, reforça uma mensagem: falar sobre doação de órgãos em vida pode ajudar a salvar outras vidas no futuro. E quem deseja ser doador precisa conversar com a família e informar sua vontade.
