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Com o fim das férias, o retorno ao ambiente escolar tem revelado um desafio comum para muitas famílias de Muriaé: a dificuldade de concentração e a irritabilidade dos alunos. Em entrevista à Rádio Muriaé, a Dra. Elisa Garonci, especialista em Neurodesenvolvimento Infantil, explicou que a exposição prolongada a celulares e tablets durante o descanso pode levar a sintomas que se confundem com transtornos como o TDAH.
O “vício” da dopamina e o comportamento escolar
Segundo a médica, o cérebro infantil ainda não consegue modular neurotransmissores como a dopamina, que é disparada constantemente por vídeos rápidos (TikTok e YouTube) e jogos. “A criança se acostuma com o imediatismo e com o controle total do que vê. Na escola, onde precisa manter a atenção prolongada e seguir regras, ela acaba ficando agitada e frustrada”, pontua a especialista.
Orientações e o “Desmame” Digital
A Dra. Elisa reforça que o caminho não é a retirada total, mas a mudança de hábito e o controle rigoroso da qualidade do conteúdo. Confira as principais orientações:
- Troque o rápido pelo longo: Incentive desenhos e filmes longos para exercitar a atenção. Vídeos curtos devem ser reduzidos ao máximo.
- Higiene do Sono: Suspenda o uso de telas pelo menos duas horas antes de dormir para não prejudicar a melatonina (hormônio do sono).
- Respeite os limites de idade: A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda zero tela até os 2 anos; uma hora para crianças de 2 a 5 anos; e até duas horas para a faixa de 6 a 10 anos.
- Experiências Reais: O cérebro precisa de brincadeiras físicas e socialização para se desenvolver plenamente. “O aprendizado precisa de experiências reais, não virtuais”, afirma a doutora.
Para os pais e profissionais interessados em aprofundar o tema, a Dra. Elisa também anunciou a segunda edição do simpósio Sensitea, voltado para o público autista e neurodivergente, que acontecerá no dia 25 de abril.
