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Na tarde desta segunda-feira (25), a Rádio Muriaé entrevistou o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Doutor Glaydson Ferreira, que detalhou dois homicídios ocorridos recentemente em Muriaé, ambos registrados na BR-116 em sextas-feiras diferentes.
O primeiro caso aconteceu no dia 15 deste mês, próximo ao distrito de Bom Jesus. Inicialmente, foi divulgado como acidente de trânsito, com acionamento da PRF, Corpo de Bombeiros, SAMU e ECOVIAS MINAS. A vítima era morador de Palma, foi socorrida ao Hospital São Paulo, mas não resistiu. Exames constataram que ele havia sido atingido por disparos de arma de fogo: um na altura da clavícula, com alojamento no rim, e outro de raspão no braço.
Segundo o delegado, uma testemunha relatou que um veículo Gol branco teria colidido contra a motocicleta da vítima e, em seguida, parado ao lado dela antes de fugir. No local, os policiais recolheram o retrovisor de um Gol geração 3, o que auxiliou nas investigações. Ainda no mesmo dia, os investigadores da DHPP identificaram o veículo e o suspeito, morador do bairro Santana, já conhecido por envolvimento em crimes contra o patrimônio.
A prisão temporária foi decretada e cumprida pela Polícia Militar no bairro Aeroporto, onde o suspeito foi localizado no mesmo carro usado no crime, ainda sem o retrovisor direito. O delegado confirmou que a perícia atestou que a peça encontrada na rodovia pertencia ao veículo. O investigado segue preso por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado, enquanto a polícia apura a motivação do crime. A hipótese de latrocínio não está descartada.
O segundo homicídio ocorreu no dia 18, também às margens da BR-116, nas proximidades do Hotel Elite. A vítima, identificada como Rafael, foi brutalmente atacada com golpes de machado e faca após ser perseguida por um grupo de cinco a sete jovens do bairro Gaspar. Antes disso, a casa de Rafael havia sido depredada.
As investigações apontam que traficantes do bairro, após serem informados por uma mulher sobre um suposto fato envolvendo Rafael, decidiram executar o que o delegado chamou de “tribunal do crime”. Inicialmente, boatos sobre estupro de uma criança circularam nas redes sociais, mas, segundo o delegado, não há registro ou vítima identificada que confirme a versão. “Até o momento, não apareceu nenhuma criança como vítima de estupro. O que sabemos é que houve algum fato envolvendo uma mulher, mas não estupro”, destacou.
Todos os envolvidos foram identificados, incluindo menores de idade. A polícia agora busca responsabilizar tanto os executores quanto o líder do tráfico do bairro Gaspar, apontado como mandante do crime.
Durante a entrevista, doutor Gleidson também alertou para a propagação de fake news e o impacto da exposição de vídeos violentos nas redes sociais. Ele ressaltou que, além da investigação policial, é preciso considerar o respeito às vítimas e suas famílias.
A DHPP segue trabalhando nos dois casos e novas informações deverão ser divulgadas nos próximos dias.
